15 de março de 2011

Amar - Carlos Drummond de Andrade


Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?






Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que , na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?





Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.





Este é o nosso destino : amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas ,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.




Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a cede infinita.

4 comentários:

  1. Tem selinho pra você lá no blog!

    http://joycenoelly.blogspot.com/2011/03/2-selinho.html

    Beijos ;*

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  2. lindo demais *-*' adorei o visual ;D tenha um lindo restinho de semana!

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  3. Obrigada pela visita!
    uma semana ótima pra vocês também xD

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Obrigada por comentar, volte sempre! *-*